BGS 2014 : Desenvolvedores brasileiros tem opiniões diferentes sobre o Pavilhão Indie

BGS 2014

Uma das novidades da Brasil Game Show (BGS) desse ano será um espaço dedicado exclusivamente para os estúdios indies. Algo que, segundo o site da feira, tem o intuito de “fortalecer ainda mais o desenvolvimento do setor no país”.  

A ideia é ótima para dar visibilidade aos jogos que estão sendo desenvolvidos no País, além de oportunidade para mais pessoas conhecerem e poderem jogá-los. Porém, o espaço para os indies na BGS 2014 parece dividir opiniões. Enquanto alguns vão participar e apoiam a iniciativa, outros estúdios não estão satisfeitos com os valores cobrados pela organização do evento e não acreditam que expor na BGS possa trazer tantos benefícios assim.

A questão do custo-benefício foi justamente o que afastou o pessoal da Joymasher (Oniken e Oddalus) da ideia de irem à feira esse ano. “O alto preço (para expor) é realmente um motivo forte (para não ir)”, fala Danilo Dias, da Joymasher. Além do valor cobrado pela BGS, ele explica que ainda há as despesas com transporte e hospedagem, uma vez que mais da metade do time atualmente mora em Manaus.

“Sinceramente eu acho que pra nós seria um puta gasto pra pouco retorno”, fala Danilo. “Até porque não estamos atrás de publisher e o grande público sempre pode conhecer nosso trabalho por meio da internet”, conclui.

Odallus, da Joymasher, não vai estar exposto na BGS 2014

No site da BGS, é explicado que os desenvolvedores independentes terão dois espaços na feira, um para expor os jogos para os visitantes e outro na área fechada de negócios para buscarem eventuais parcerias e iniciar novos projetos.

Entramos em contato com a BGS para saber mais detalhes sobre como vai funcionar o pavilhão indie e os preços que estão sendo cobrados para os expositores independentes, mas apenas nos foi informado que os interessados devem entrar em contato diretamente com a organização para receber mais informações.

Já sobre preço, a organização fala que os valores dependem diretamente do espaço desejado, mas que eles estão dispostos a conversar para encontrar uma melhor solução para os desenvolvedores interessados.

Só conseguimos detalhes sobre preços no espaço indie da BGS com um dos estúdios que entrou em contato com a organização, a Vortex Game Studios. “Foi uma conversa rápida e mais por curiosidade, o valor que passaram do espaço era algo um pouco maior de R$ 3 mil, com possibilidade de parcelamento”, fala Alexandre Ribeiro, um dos desenvolvedores da Vortex.

A Vortex, por sinal, possui boa experiência com organização de eventos indies já há alguns anos, por conta do SPJam, a maratona de desenvolvimento de jogos que acontece em São Paulo.

Talvez por isso, Alexandre explica que os valores cobrados para uma feira do tamanho da BGS não chegam a ser tão altos, sendo “bem aceitável e viável”. Mesmo assim ele ressalta que o estúdio não irá expor oficialmente na BGS 2014. “O motivo é que estamos sondando as possibilidades de eventos e stands para algo maior e bem mais interessante para 2015”, completa.

Fora isso, a Vortex também está nos preparativos finais da edição deste ano da SPJam, que acontece no fim de agosto.

Vale a pena?

Além da questão financeira, alguns estúdios alegaram que os benefícios ao participar da BGS podem não ser tão grandes. É o caso do desenvolvedor André Asai. Ele faz parte da Loud Noises – criadora do jogo Headblaster e que organiza diversos eventos indies, como o Spin – e diz que, na teoria, a iniciativa parece interessante. “À primeira vista, parece uma ótima oportunidade. Muitas pessoas verão seu produto, jornalistas irão fazer matérias e você terá acesso a pessoas interessadas em investir no seu projeto”, fala.

Porém, André diz que isso é apenas a teoria. “A triste realidade é que não acontecerá nada disso. A maior parte das pessoas que vai à BGS está interessada apenas em ver os stands maiores, os jornalistas também em sua maioria não irão cobrir o seu jogo e normalmente os investidores internacionais são empresas de mobile”, diz.

Asai prevê esse cenário baseado no que viu no ano passado e conta o exemplo da Devolver Digital, que esteve na BGS 2013 mostrando o ainda inédito Hotline Miami 2. “(A Devolver Digital) montou um stand pequeno, meio afastado do núcleo central”, conta. “Pouca gente foi, ninguém os mencionou e eles não fizeram parceria com ninguém durante a BGS”, explica.

Realmente, Hotline Miami 2 estava na BGS 2013, mas pouco foi falado ou publicado sobre o jogo na época. O Kotaku  falou sobre o game no evento.

Mas também tem muita gente com altas expectativas para a BGS 2014. Os irmãos Pérsis e Ricardo Duaik, os criadores de Aritana e a Pena da Harpia, já estão confirmados no evento. “A conversa com os organizadores foi ótima e foi fantástico o cuidado que eles tiveram com os desenvolvedores independentes”, explica Pérsis.

Apesar de concordar que não é barato expor na feira, Pérsis diz que o investimento vale a pena. “Se analisarmos o pacote oferecido pela feira, o valor é totalmente justo”, diz. “Cabe ao desenvolvedor entender se o valor cobrado trará benefícios condizentes”, afirma. “A Brasil Game Show criou um valor fantástico para os brasileiros e ainda abriu espaço para os jogos independentes”, fala Pérsis Duaik. “Tenho orgulho de ver a feira dando a possibilidade dos desenvolvedores indies de aparecerem por lá”, termina.

Modelo do Stand da Duaik para a BGS 2014

Por já fazer parte de um dos estúdios confirmado no espaço, é claro que Duaik vai incentivar elogiar a BGS, mas mesmo quem não vai participar, como a Vortex, aprova a iniciativa. “Eu acredito que eles podem fazer desse espaço algo realmente interessante e com grande potencial para divulgação das produções independentes”, fala Alexandre Ribeiro, da Vortex.

Ele afirma também que é sempre interessante para os desenvolvedores estarem em eventos que atraem grande público como a BGS, Anime Friends e Campus Party. “O motivo é simples, é uma oportunidade do desenvolvedor levar seu jogo para quem vai realmente pode querer comprar ele”, explica. “Ano passado a BGS teve aproximadamente 150 mil visitantes, se 10% desse publico visitar seu stand e desses visitantes 10% resultarem em uma compra, você teve 1.500 vendas diretas!”, calcula.

A organização da BGS afirma que, até agora, Reload Game Studio, Garage 227, Umidex, Gameblox, além da já citada Duaik são os estúdios confirmados no espaço para indies na BGS 2014. Outros ainda devem ser anunciados.

Brasil Game Show 2014_pavilhao

O pavilhão indie na BGS deve servir como um experimento para saber se o grande público está querendo consumir os jogos produzidos por aqui. Por ser a primeira tentativa, falhas podem acontecer e críticas devem sim ser feitas para se melhorar, mas a nossa torcida é que ele seja um sucesso. Afinal a BGS, os desenvolvedores e, principalmente, nós jogadores, só temos a ganhar com isso.

A Brasil Game Show desse ano vai acontecer entre os dias 8 e 12 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Via Kotaku


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